Documentário “hera” online na íntegra

“hera” (2012) traz encontros com seis poetas do grupo que fundou a revista Hera, publicação que engendrou uma marcante movimentação literário-cultural na Bahia, com significativa repercussão nacional. Os poetas falam de relações e amizade, comentam sobre suas motivações poéticas, refletem sobre contextos contemporâneos e manifestam as suas visões de mundo, desde o local até o universal. Participam os poetas, escritores e artistas visuais baianos Antonio Brasileiro, Juraci Dórea, Washington Queiroz, Wilson Pereira de Jesus, Roberval Pereyr e Uaçaí Lopes.

Uma realização do Bahiadoc – arte documento, com direção de Camele Queiroz e Fabricio Ramos.

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documentário “hera” retrata um importante capítulo da poesia baiana

A REVISTA

A revista Hera, criada no início da década de 70, engendrou uma importante movimentação literário-cultural em Feira de Santana, com destacada reverberação na Bahia e importante repercussão nacional. A revista surgiu a partir do incentivo do professor, escritor e poeta Antônio Brasileiro, que editou escritos de cinco estudantes do ensino médio do Colégio Estadual de Feira de Santana. O primeiro número, lançado em dezembro de 1972 (com data de janeiro de 1973), reuniu contos de Antonio Carlos Vilas Boas, Roque Portela, Roberval Pereyr, Washington Queiroz e Wilson Pereira, co-fundadores de “Hera”.

Nos dois números seguintes (abril-1973 e outubro-1973), permanece o gênero conto. Do número quatro (junho-1974) ao número vinte (abril-2005) a revista Hera encontra a identidade pela qual é reconhecida, uma revista de poesia, com mais de 900 poemas publicados, de 100 autores. Em 2011, através da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS Editora) e da Fundação Pedro Calmon, foi publicada a edição fac-similar que reúne, em um único volume, as vinte edições da revista, que saíram entre 1972 e 2005.

O PROCESSO DO DOCUMENTÁRIO

Um grupo de amigos, um grupo de poetas, um grupo de conflitos. Decidimos conhecer mais proximamente a poesia que se manifestou através do grupo, e mais além, saber das pessoas por trás dos poetas.

O documentário “hera”, entretanto, não ousa desvendá-las, mas se constitui como um exercício de aproximação, tornando-os os sujeitos do documentário. Aos autores, coube a difícil tarefa de organizar as breves mas ricas vivências registradas em vídeo, e sobretudo a grata missão de transmitir, da forma que nos foi possível, a dimensão da experiência. O documentário, portanto, não busca reportar a história do grupo: em lugar de uma reportagem ou um recorte informativo/estético, o doc propõe uma imersão na atmosfera poética de cada momento, de cada diálogo, de cada silêncio.

O doc “hera” – um recorte de um belo momento da poesia – foi realizado sem aporte de patrocínios. Contamos com o apoio da DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que através do Núcleo de apoio à produção, o NAP, disponibilizou equipamento e dois técnicos cinegrafistas. O Goethe Institut (ICBA), por sua vez, cedeu o espaço para a exibição do documentário, em caráter especial, com a presença dos poetas participantes. A exibição, aberta ao público e com entrada franca, ocorreu em 9 de março de 2012.

Galeria

Nota e fotos da exibição especial do documentário “hera” no ICBA – Goethe Institut

Exibimos sexta, 9 de março de 2012, o documentário “hera” no cine-teatro do Goethe Institut (ICBA). Entre o público que prestigiou o doc, comoveu-nos a presença do ilustre escritor Hélio Pólvora. Surpreendeu-nos muito alegremente a presença de Jaime Figura, inusitado artista performático e já folclórico no cenário cultural de Salvador e das ruas do Pelourinho. Gratificante também as presenças do cineasta Antônio Olavo (realizador de diversos documentários, entre os quais “Quilombos da Bahia”), do artista plástico Guache Marques e, claro, de todas as pessoas que prestigiaram o documentário.

Estavam presentes também poetas que participam do documentário, que aliás são os sujeitos que o constroem e conformam a sua substância histórica e poética. Para os realizadores, tratou-se de uma primeira justiça: mostrar o resultado do trabalho para os próprios protagonistas. E uma segunda justiça: oferecer ao público, para apreciação e crítica, um documento audiovisual que consideramos de relevância cultural para a Bahia.

Importante também termos recebido os primeiros retornos, ainda como breves impressões, de tais protagonistas. Para fortalecer o caráter documental do filme, sem diminuir a autonomia autoral, é imprescindível a retomada da construção das interpretações dos complexos contextos após a primeira exibição do documentário.

Nesse sentido, estamos a experimentar um processo novo para nós: a negociação entre a visão autoral dos realizadores e a recepção dos protagonistas sujeitos do documentário. É possível que, embora apresentemos a versão final do documentário (que refletirá muito mais a nosso recorte da experiência de filmar e conversar com os poetas do que as verdades de cada um), continuemos um processo de trocas e interpretações contínuas, que favorecerão de forma complementar – através de debates sobre o doc – o seu aspecto documental, seu próprio fundamento. Imprescindível também que o público que assistiu o doc (e que venha a assistí-lo futuramente), façam críticas e comentários através do nosso sítio, nas plataformas do forum, no Docset, ou enviando emails.

O doc “hera”, dado que foi realizado de forma independente, ainda não tem meios de distribuição. Nosso esforço, entretanto, será o de disponibilizá-lo em breve para livre acesso dos interessados através do sítio Bahiadoc – arte documento, ou, sendo possível, realizando outras exibições.

Agradecimentos ao Goethe Institut pelo apoio à exibição e a Acelino, pelo suporte técnico à projeção.

Um agradecimento especial e um “coletivo abraço” (imitando Drummond…) a todos que prestigiaram o documentário “hera”, valorizando este rico capítulo da poesia baiana.

Dos realizadores Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz.

Momentos da exibição especial no cine-teatro do Goethe institut (ICBA), 9 de março. (Fotos de Lívia Cunha e Joaquim Neto).

Guache Marques e Uaçaí Lopes

acima: Guache Marques e Uaçaí Lopes (foto: Mário Joaquim)

Valtério

acima: Valtério (ilustrou edições da revista Hera) e esposa (foto: Mário Joaquim)

Wilson de Jesus e Camele

acima: Wilson de Jesus e Camele (foto de Lívia Cunha).

acima: Antônio Olavo, cineasta (foto: Lívia Cunha).

acima: plateia no cine-teatro do Goethe Institut (ICBA) (foto: Lívia Cunha).

acima: plateia no cine-teatro do Goethe Institut (ICBA) (foto: Lívia Cunha).

acima: Uaçaí Lopes na plateia (foto: Lívia Cunha)

acima: Roberval Pereyr e Washington Queiroz (foto: Lívia Cunha).

acima: poetas Roberval Washington conversam com o público (foto: Lívia Cunha).

acima: plateia no cine-teatro (foto: Mário Joaqim).

acima: escritor Hélio Pólvora (foto: Mário Joaquim).

acima: cine-teatro do Gethe Institut logo após a sessão (foto: Mário Joaquim).